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Fundamental II (8º ano) & Ensino Médio / ENEMBNCC: EF08HI01 / EM13CHS101 / EM13CHS10235 a 45 min • 20 questões

Atividades sobre Brasil Império: 20 questões com gabarito comentado

Pratique com 20 exercícios sobre Brasil Império (Primeiro Reinado, Regência e Segundo Reinado). Quiz interativo com gabarito para o 8º ano e ENEM.

4 Módulos cronológicos

Primeiro Reinado (1822–1831), Período Regencial (1831–1840), Segundo Reinado: Política e Economia, e Sociedade e Crise (1840–1889).

20 Recursos visuais

Diagramas constitucionais, mapas de revoltas regenciais, simuladores de tarifas e balanças comerciais exclusivas.

Gabarito protegido & SSR

Respostas protegidas por desfoque com revelação por clique ou resposta, 100% indexável para o Googlebot.

01
Módulo 11822–18315 Questões

Primeiro Reinado (1822–1831)

A consolidação da independência, a Carta de 1824 e o autoritarismo de D. Pedro I

01
FácilENEM & Vestibulares
A Constituição de 1824 e o Poder Moderador: a supremacia régia
Em 25 de março de 1824, D. Pedro I outorgou a primeira Constituição do Brasil independente. Diferenciando-se da clássica tripartição de poderes iluminista formulada por Montesquieu, a Carta Imperial instituiu quatro poderes políticos. A atribuição fundamental do Poder Moderador, privativo do Imperador, era:

Os 4 Poderes da Constituição de 1824: A Supremacia do Imperador

Clique nos poderes para ver como o Poder Moderador subordinava os outros três ramos

Subordina e arbitra sobre os três ramos:
Poder Moderador (Privativo do Imperador)
Poder Supremo

Chave mestra de toda a organização política do Império

Prerrogativas constitucionais:
Nomear senadores vitalícios através de lista tríplice
Dissolver a Câmara dos Deputados quando em conflito com o trono
Suspender magistrados e anistiar réus condenados
Nomear e demitir ministros de Estado discricionariamente
Impacto histórico: Enquanto a teoria de Benjamin Constant pensava o Moderador como árbitro neutro, no Brasil ele institucionalizou a supremacia do imperador sobre a representação popular.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Inspirado no pensamento do teórico liberal-conservador franco-suíço Benjamin Constant, o Poder Moderador foi concebido na Constituição de 1824 como um poder neutro que deveria equilibrar os outros três. Contudo, na prática do Primeiro e Segundo Reinados, o Moderador garantiu a hegemonia absolutista do monarca: D. Pedro I e mais tarde D. Pedro II podiam dissolver a Câmara, escolher senadores vitalícios a partir de uma lista tríplice, suspender magistrados e nomear e demitir ministros do Executivo a seu livre critério.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Uma Constituição é 'promulgada' quando é debatida e votada por deputados eleitos pelo povo. Já a Carta de 1824 foi 'outorgada' (imposta de cima para baixo), porque D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte com tropas armadas e a redigiu com um Conselho de Estado de apenas 10 nobres de sua inteira confiança!

02
MédioENEM & Vestibulares
A 'Noite da Agonia' e a Constituição da Mandioca: o choque com a aristocracia
Durante os debates da Assembleia Constituinte de 1823, deputados ligados aos grandes proprietários de terras apresentaram um projeto constitucional que restringia os poderes do monarca e fixava o critério de voto censitário pela renda equivalente a alqueires de farinha de mandioca. Diante dessa resistência parlamentar, a reação de D. Pedro I foi:

Simulador censitário da 'Constituição da Mandioca' (Projeto de 1823)

Ajuste a produção anual da fazenda em alqueires de farinha para calcular a cidadania política

Renda agrícola anual:180 alqueires de farinha
0 alqueires150 (Voto 1º grau)250 (Deputado)500+ (Senador)

Por que medir riqueza em mandioca?

Os deputados do Partido Brasileiro queriam afastar do poder os comerciantes portugueses ricos em moedas de ouro e reservar o voto apenas para fazendeiros rurais donos de terras e de escravos!

Status Constitucional Resultante
Eleitor de Paróquia (1º Grau)

Pode votar apenas na assembleia primária da igreja local para escolher os grandes eleitores provinciais.

Constituinte de 1823Dissolvida na 'Noite da Agonia'

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Na madrugada de 12 de novembro de 1823, episódio que ficou conhecido como a 'Noite da Agonia', tropas fiéis a D. Pedro I invadiram e fecharam a Assembleia Constituinte. O imperador não aceitava ter seus poderes limitados pelo Partido Brasileiro nem tolerava as críticas publicadas na imprensa. Líderes como José Bonifácio e seus irmãos foram presos e desterrados para a Europa, evidenciando que a independência do Brasil não rompia com o autoritarismo de matriz absolutista portuguesa.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

O critério da mandioca visava excluir do processo político os comerciantes portugueses ricos em moedas e assegurar que apenas os fazendeiros e senhores de engenho nativos pudessem votar e ser votados nas eleições primárias!

03
MédioENEM & Vestibulares
A Confederação do Equador (1824): o levante republicano no Nordeste
Em julho de 1824, eclodiu em Pernambuco uma insurreição republicana e separatista que logo se estendeu às províncias do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Liderada por intelectuais liberais e religiosos como Frei Caneca, a Confederação do Equador teve como motivação primordial:

A Confederação do Equador (1824): O Levante Republicano do Nordeste

Inspecione as províncias que se rebelaram contra a outorga da Constituição de D. Pedro I

Pernambuco (Epicentro)
1824 • República Separatista

Liderança: Frei Caneca e Manuel de Carvalho Pais de Andrade

Atuação: Proclamou a Confederação em 2 de julho de 1824 após rejeitar o presidente provincial nomeado por D. Pedro I.

Desfecho: O Rio de Janeiro enviou tropas terrestres de Francisco de Lima e Silva e a esquadra do Lorde Cochrane para bloquear o Recife. A rebelião foi esmagada e Frei Caneca fuzilado em janeiro de 1825.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Pernambuco já possuía uma vibrante tradição republicana desde a Revolução de 1817. Quando D. Pedro I dissolveu a Constituinte em 1823, outorgou a Carta absolutista de 1824 e destituiu o presidente eleito pelos pernambucanos para impor um governante de sua escolha pessoal (Francisco Pais Barreto), a revolta explodiu. Proclamaram a República da Confederação do Equador, inspirada na constituição dos EUA. A repressão imperial foi implacável: o Rio de Janeiro contratou o mercenário britânico Lorde Cochrane para bloquear o Recife, e Frei Caneca foi fuzilado em 1825.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

A condenação oficial de Frei Caneca determinava a morte pela forca. Contudo, nenhum dos carrascos da província de Pernambuco aceitou colocar a corda no pescoço do reverenciado frade carmelita. Sem executor para o enforcamento, o tribunal militar ordenou seu fuzilamento pelas tropas!

04
DifícilENEM & Vestibulares
A Guerra da Cisplatina (1825–1828) e a gênese do Uruguai
Entre 1825 e 1828, o Império do Brasil travou uma sangrenta guerra contra as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina) pela posse da Província Cisplatina. O término do conflito, mediado pela diplomacia da Grã-Bretanha, resultou:

A Guerra da Cisplatina (1825–1828) e a Crise do Império

Analise os custos humanos, o rombo financeiro e a intervenção britânica

Vidas Humanas

+8.000 mortos

Recrutamento forçado violento de homens livres pobres, camponeses e escravizados alforriados pelo exército imperial.

Dívida e Inflação

Empréstimos em Londres

Emissão descontrolada de papel-moeda, inflação de alimentos e falência do 1º Banco do Brasil em 1829.

Imagem de D. Pedro I

Rejeição Total

A imprensa e o parlamento acusaram o monarca de gastar sangue e dinheiro brasileiro em uma guerra inútil.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Cisplatina (anexada por D. João VI em 1821) rebelou-se com a expedição dos 'Trinta e Três Orientais' liderada por Juan Antonio Lavalleja, desejando unir-se à Argentina. A guerra foi um desastre financeiro e humano para o Brasil: causou milhares de mortos, inflação, recrutamento forçado de civis e endividamento gigantesco junto à Inglaterra. Preocupada com o bloqueio do porto de Buenos Aires que prejudicava seus negócios, a Grã-Bretanha intermediou o Tratado de Paz de 1828, no qual Brasil e Argentina abriram mão do território, surgindo a República Oriental do Uruguai.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Para os britânicos, não interessava que o estuário do Rio da Prata ficasse sob controle exclusivo do Brasil ou da Argentina. A criação do Uruguai como país neutro garantiu a livre navegação comercial dos navios ingleses para o interior da América do Sul!

05
FácilENEM & Vestibulares
O 7 de abril de 1831: o colapso do Primeiro Reinado e a abdicação de D. Pedro I
O clima político no Rio de Janeiro deteriorou-se rapidamente entre 1830 e 1831 com o assassinato do jornalista liberal Líbero Badaró, a 'Noite das Garrafadas' (conflitos de rua entre portugueses e brasileiros) e a oposição unânime da elite política e do Exército. Diante desse isolamento generalizado, em 7 de abril de 1831, D. Pedro I:

Linha do tempo: A Escalada da Crise e a Abdicação (1829–1831)

Acompanhe a sucessão de conflitos que precipitou o fim do Primeiro Reinado

A Abdicação de D. Pedro I
7 Abr 1831

Isolado no Campo de Santana perante as tropas e o povo, o imperador renuncia em favor de seu filho de 5 anos.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A abdicação de D. Pedro I em 7 de abril de 1831 encerrou o Primeiro Reinado. O imperador estava prensado entre a crise econômica (falência do Banco do Brasil em 1829 e desvalorização cambial), a desconfiança popular de que pretendia reunificar Brasil e Portugal após a morte de seu pai D. João VI, e a perda do apoio militar da guarnição do Rio de Janeiro. Ao abdicar em favor de seu filho de 5 anos de idade (D. Pedro II), D. Pedro I retornou à Europa para disputar a coroa portuguesa contra seu irmão absolutista D. Miguel, abrindo caminho para o turbulento Período Regencial.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

A carta de renúncia redigida por D. Pedro I de próprio punho na madrugada de 7 de abril continha apenas duas frases breves: 'Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que hei mui voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho o Senhor D. Pedro de Alcântara. Boa Vista, sete de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império'!

02
Módulo 21831–18405 Questões

Período Regencial (1831–1840)

Instabilidade política, Guarda Nacional, revoltas provinciais e o Golpe da Maioridade

06
MédioENEM & Vestibulares
O Ato Adicional de 1834 e a Guarda Nacional: descentralização e coronelismo
Durante o avanço liberal da Regência Trina Permanente, o ministro da Justiça Diogo Antônio Feijó criou a Guarda Nacional (1831) e o Parlamento aprovou o Ato Adicional de 1834. Essas reformas institucionais tinham como marca principal:

A Guarda Nacional de 1831: Força Privada e Origem dos Coronéis

Compare a força paramilitar dos fazendeiros com o Exército Imperial regular

Criada por Diogo Feijó para proteger a ordem senhorialBase do Coronelismo
  • Comando: Postos de coronel e capitão eram comprados por fazendeiros ricos com renda censitária.
  • Função: Conter fugas e revoltas de escravizados e rebeliões populares provinciais.
  • Subordinação: Respondia aos juízes de paz e ministério da Justiça, sem lealdade ao Exército.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
O Ato Adicional de 1834 alterou a Constituição de 1824: suspendeu o Poder Moderador durante a menoridade, substituiu a Regência Trina pela Regência Una eleita e criou as Assembleias Legislativas Provinciais, permitindo aos deputados locais legislar sobre impostos e funcionalismo. Concomitantemente, a Guarda Nacional criada por Feijó descentralizou o uso da força: os postos de oficiais eram comprados por ricos fazendeiros da terra (o título de 'Coronel'), subordinando a repressão das revoltas e o controle dos escravizados ao poder privado local, o que deu origem histórica ao coronelismo no Brasil.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Os grandes proprietários de terras que financiavam e compravam patentes de comando na Guarda Nacional recebiam a patente de 'Coronel da Guarda Nacional'. Mesmo após a extinção da corporação, o título continuou sendo usado popularmente para designar os chefes políticos oligárquicos em todo o Brasil!

07
DifícilENEM & Vestibulares
A Revolta dos Malês (1835): resistência negra letrada e muçulmana em Salvador
Na madrugada de 25 de janeiro de 1835 (durante o mês sagrado do Ramadã), eclodiu em Salvador a Revolta dos Malês, considerada a maior insurreição urbana de pessoas escravizadas das Américas. A característica singular desse movimento que aterrorizou as elites imperiais foi:

A Revolta dos Malês (Salvador, 1835): A Escrita Árabe e o Islã

Conheça os documentos manuscritos apreendidos pela polícia com os insurgentes negros

Patuás e Orações do AlcorãoSalvador • 1835
"Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso..." (Versículos do Alcorão dobrados em pequenos estojos de couro no pescoço para proteção divina na batalha).

Os autos da devassa policial registraram a apreensão de dezenas de cadernos com lições de gramática árabe, provando o alto nível de letramento dos escravizados nagôs e hauçás frente a uma elite senhorial baiana majoritariamente analfabeta!

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Os 'Malês' (termo iorubá 'imale', que significa muçulmano) reuniram cerca de 600 rebeldes, predominantemente escravizados e libertos de ganho em Salvador (como sapateiros, carregadores e alfaiates). Ao contrário do estereótipo colonial de que escravizados eram ignorantes, muitos líderes malês sabiam ler e escrever em árabe clássico e articulavam a revolta através de bilhetes clandestinos e orações do Alcorão. A repressão policial regencial foi implacável: dezenas de mortos em combate, fuzilamentos, açoites de centenas de chicotadas e deportação em massa de libertos para a África.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Muitos dos combatentes malês usavam abadás brancos e colares no pescoço com pequenos patuás de couro contendo papéis dobrados com orações e suratas do Alcorão escritas em árabe, que acreditavam proteger seus corpos contra as balas da polícia provincial!

08
MédioENEM & Vestibulares
A Guerra dos Farrapos (1835–1845): charque, fronteira e repúblicas sulistas
A Revolução Farroupilha, que durou dez anos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, foi o mais longo conflito armado do período regencial. O descontentamento econômico central dos fazendeiros de gado (estancieiros) que impulsionou o levante republicano foi:

A Balança do Charque: O Estopim Econômico da Revolução Farroupilha

Compare o imposto cobrado sobre o charque nacional gaúcho contra o produto platino importado

Charque Gaúcho (Nacional)Imposto Alto (~25%)

Sobrecarregado com taxas provinciais pesadas para alimentar os cofres da Regência no Rio de Janeiro.

Charque Platino (Uruguai/Argentina)Imposto Baixo (apenas 15%)

Entrava nos portos de Santos e Rio de Janeiro com tarifas aduaneiras favorecidas, quebrando os estancieiros do sul.

Consequência Histórica (1835)
A Proclamação da República Rio-Grandense

Sem obter resposta do governo imperial para proteger a pecuária gaúcha, Bento Gonçalves e os estancieiros tomaram Porto Alegre em 20 de setembro de 1835 e iniciaram a Guerra dos Farrapos.

O conflito só terminou em 1845 quando o Império aceitou taxar o charque estrangeiro em 25%, igualando a concorrência!

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Os estancieiros sulistas viam o charque (carne seca) gaúcho, principal alimento dos escravizados nos cafezais e plantações do Sudeste, perder mercado interno porque a tarifa alfandegária do Rio de Janeiro cobrava menos impostos sobre o charque platino estrangeiro do que sobre o charque do Rio Grande do Sul. Liderados por Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi, os farrapos proclamaram a República Rio-Grandense (Piratini) e a República Juliana (SC). A guerra só terminou em 1845 com o Tratado do Ponche Verde negociado por Luís Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias), que atendeu às reivindicações tarifárias e anistiou os rebeldes.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Para fechar o acordo de paz com o Império sem libertar escravizados negros que desafiassem a ordem escravocrata do país, os chefes farroupilhas desarmaram o corpo de Lanceiros Negros na véspera de um ataque surpresa das tropas imperiais no Massacre de Porongos (1844), uma das páginas mais sombrias da história gaúcha!

09
MédioENEM & Vestibulares
Cabanagem, Sabinada e Balaiada: o povo insurrecto contra as elites
Durante o Período Regencial, o mapa brasileiro foi sacudido por levantes como a Cabanagem (Grão-Pará, 1835-1840), a Sabinada (Bahia, 1837-1838) e a Balaiada (Maranhão, 1838-1841). A Cabanagem e a Balaiada diferenciaram-se pelo protagonismo de:

Mapa das Grandes Revoltas do Período Regencial (1835–1845)

Clique em cada rebelião provincial para analisar seu perfil social e desfecho

Cabanagem
Grão-Pará (Belém e rios amazônicos)

Perfil Social: Popular (indígenas, mestiços e ribeirinhos cabanos)

Contexto: Extrema miséria social e isolamento político imposto pelo Rio de Janeiro. Chegou a tomar o poder e custou mais de 30 mil vidas.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Ao passo que revoltas como a Farroupilha e a Sabinada tiveram forte comando das elites agrárias ou da classe média urbana, a Cabanagem e a Balaiada foram essencialmente populares. No Grão-Pará, os cabanos (moradores de cabanas humildes à beira dos rios, indígenas e mestiços) tomaram Belém por anos e exerceram o governo provincial, sofrendo uma repressão atroz que dizimou cerca de 20% a 30% da população paraense (mais de 30 mil mortos). No Maranhão, artesãos fabricantes de balaios (como Manuel dos Balaios) e escravizados aquilombados (como Cosme Bento) uniram-se contra a opressão dos fazendeiros locais.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Líder quilombola na Balaiada, Cosme Bento das Chagas chegou a comandar um exército de mais de 3.000 negros libertos e foragidos no interior do Maranhão e Piauí, instituindo escolas e autogoverno popular nas matas antes de ser capturado e enforcado em 1842!

10
FácilENEM & Vestibulares
O Golpe da Maioridade (1840): a restauração da autoridade e o fim da menoridade
Em 23 de julho de 1840, com a aprovação de uma emenda constitucional articulada pelo Partido Liberal no 'Clube da Maioridade', D. Pedro II foi declarado maior de idade e empossado como Imperador do Brasil aos 14 anos de idade. A motivação política central desse movimento foi:

O 'Golpe da Maioridade' (1840): D. Pedro II Imperador aos 14 Anos

A estratégia do Clube da Maioridade para pacificar o Império e garantir a ordem territorial

A Manobra do Partido Liberal:

Para tirar os conservadores do poder da Regência e estancar as revoltas republicanas que ameaçavam desmembrar o país, os liberais fundaram o Clube da Maioridade e anteciparam a posse do herdeiro quatro anos antes do previsto pela Constituição (18 anos).

O Manto de Plumas de Tucano:

Na cerimônia de coroação em 1841, o imperador de 15 anos vestiu uma gola de penas de tucano confeccionada por indígenas, simbolizando a união entre a monarquia dinástica europeia e a identidade tropical do Brasil independente.

A Quadrinha das Ruas (1840)

“Por subir Pedrinho ao trono,
Não fique o povo contente;
Não pode ser boa coisa,
Servindo com a mesma gente!”

Sátira popular sobre a troca do poder regencial

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
O Período Regencial havia sido marcado por guerras civis, revoltas separatistas e ameaça iminente de 'balcanização' (fragmentação do Brasil em várias republiquetas, como ocorrera na América espanhola). Para a elite política brasileira (tanto liberais quanto conservadores), apenas a sacralidade da figura do Imperador poderia restaurar a autoridade do Estado, pacificar as províncias rebeladas e restabelecer a ordem. A célebre quadrinha popular sintetizou o momento: 'Por subir Pedrinho ao trono, não fique o povo contente; não pode ser boa coisa, servindo com a mesma gente'.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Quando uma comissão parlamentar foi ao Palácio de São Cristóvão perguntar ao príncipe adolescente de 14 anos quando ele gostaria de assumir a chefia do Império diante da crise regencial, D. Pedro II respondeu com firmeza com duas únicas palavras: 'Quero já!'

03
Módulo 31840–18895 Questões

Segundo Reinado: Economia, Sociedade e Política (1840–1889)

A era do café, a Lei de Terras, a Tarifa Alves Branco e o Parlamentarismo às Avessas

11
MédioENEM & Vestibulares
A marcha do café: o Vale do Paraíba tradicional versus o dinâmico Oeste Paulista
Na segunda metade do século XIX, o café tornou-se o motor absoluto da economia brasileira, representando mais de metade das exportações nacionais. A expansão cafeeira dividiu-se em dois modelos socioespaciais distintos: o Vale do Paraíba e o Oeste Paulista. O Oeste Paulista destacou-se por:

A Marcha do Café: Vale do Paraíba vs. Oeste Paulista

Compare as duas fases e modelos socioeconômicos da cafeicultura imperial

A vanguarda do interior paulista (Campinas, Ribeirão Preto)1870–1930
  • Solo: Manchas férteis de 'terra roxa' em relevo plano e ondulado ideal para grandes fazendas.
  • Ferrovias: Investimento maciço em trens conectando as plantações diretamente ao Porto de Santos.
  • Trabalho: Transição acelerada para imigrantes europeus assalariados (sistema de colonato).

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Enquanto o Vale do Paraíba (RJ/SP) utilizava técnicas agrícolas arcaicas, desmatamento predatório, relevo acidentado e dependência rígida de escravizados (os 'barões do café' tradicionais que entraram em decadência com a exaustão do solo), o Oeste Paulista (regiões de Campinas, Ribeirão Preto e São Carlos) apresentava relevo plano, terra roxa fértil e uma burguesia cafeeira empreendedora. Esses fazendeiros paulistas financiaram estradas de ferro (como a São Paulo Railway), modernizaram a torrefação e impulsionaram a imigração subvencionada europeia (italianos, alemães e espanhóis) pelo sistema de colonato.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

O solo extremamente fértil do interior paulista era chamado pelos imigrantes italianos recém-chegados de 'terra rossa' ('vermelha', em italiano). Os brasileiros ouviram 'rossa' e aportuguesaram a palavra para 'roxa', mesmo a terra sendo de cor marrom-avermelhada!

12
DifícilENEM & Vestibulares
A Lei de Terras de 1850: a blindagem jurídica do latifúndio e a exclusão social
Promulgada quase simultaneamente à extinção do tráfico negreiro, a Lei de Terras (Lei nº 601 de 1850) estabeleceu as normas para a propriedade rural no Brasil. A sua principal determinação histórica e impacto estrutural foram:

A Lei de Terras de 1850: O Trancamento do Solo e a Concentração Fundiária

Entenda como a lei vinculou o acesso à terra ao capital monetário para subordinar o trabalhador

Regra 1: Compra Obrigatória
Fim do Regime de Posse

Terras públicas ('devolutas') só poderiam ser adquiridas por leilão público e pagamento em dinheiro à vista. Ficou proibida a posse por simples ocupação e cultivo.

Efeito 2: Exclusão Social
Barreira aos Imigrantes e Libertos

Sem recursos financeiros para arrematar lotes, os imigrantes europeus e os futuros escravizados alforriados foram impedidos de se tornarem pequenos proprietários rurais.

Objetivo 3: Subordinação
Garantia de Mão de Obra

Com as terras trancadas, restava aos trabalhadores sujeitar-se a salários baixos e contratos de colonato estritos nas fazendas dos grandes cafeicultores.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Lei de Terras de 1850 encerrou o antigo regime colonial de sesmarias e posses por ocupação primária. Como o fim do tráfico de escravizados forçava a atração de imigrantes europeus, a elite latifundiária temia que os trabalhadores recém-chegados abandonassem as fazendas para ocupar terras livres no interior. Ao estipular que a terra pública só poderia ser obtida mediante compra formal com altos valores em dinheiro, o Império garantiu que os imigrantes e os libertos não tivessem acesso à terra, permanecendo compulsoriamente como mão de obra assalariada barata nos cafezais. Essa lei é o marco histórico da secular concentração fundiária no Brasil.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

A Lei de Terras foi aprovada em 18 de setembro de 1850, exatamente 14 dias após a Lei Eusébio de Queirós (4 de setembro). Não foi coincidência: os proprietários sabiam que sem novos escravos, precisavam trancar o acesso à terra para manter o imigrante preso ao trabalho nos cafezais!

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A Tarifa Alves Branco (1844) e a Era Mauá: surto de modernização industrial
Em 1844, o ministro da Fazenda Manuel Alves Branco decretou uma reforma alfandegária que elevou os impostos sobre produtos importados para até 60%. Essa medida protecionista, associada aos capitais liberados pelo fim do tráfico negreiro, propiciou a 'Era Mauá', caracterizada por:

A Era Mauá: As Conquistas Tecnológicas do Barão de Mauá

Clique nos empreendimentos industriais e de infraestrutura do Brasil oitocentista

Primeira Ferrovia do Brasil (Estrada de Ferro Mauá)
1854

Inaugurada por D. Pedro II ligando o Porto de Mauá na Baía de Guanabara à serra de Petrópolis com a locomotiva 'Baronesa'.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Tarifa Alves Branco (1844) não renovou os privilégios alfandegários da Inglaterra (taxa de apenas 15% desde 1810) e elevou as alíquotas para 30% e 60%. O capital que antes era imobilizado na compra de escravizados africanos foi redirecionado para a modernização urbana e financeira. O empresário gaúcho Irineu Evangelista de Sousa (Barão e depois Visconde de Mauá) fundou a Ponta da Areia (maior estaleiro e fundição do país), construiu a primeira estrada de ferro do Brasil (Estrada de Ferro Mauá, 1854), inaugurou a iluminação a gás no Rio de Janeiro e interligou o Brasil à Europa via cabo telegráfico submarino.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

No auge de seus negócios na década de 1860, o Banco Mauá & Cia possuía filiais em Montevidéu, Buenos Aires, Londres, Paris e Nova York. O faturamento de suas empresas era superior a todo o orçamento anual do governo imperial do Brasil!

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O 'Parlamentarismo às Avessas': o carrossel político sob a batuta de D. Pedro II
Criado pelo Decreto nº 523 de 1847, o sistema parlamentarista do Segundo Reinado recebeu da historiografia a célebre denominação de 'Parlamentarismo às Avessas'. Comparado ao modelo parlamentar clássico britânico, o sistema brasileiro funcionava 'ao contrário' porque:

O 'Parlamentarismo às Avessas' vs. O Modelo Britânico

Alterne entre os dois modelos para entender por que a ordem de poder no Brasil era invertida

"O Imperador reina, governa e comanda o carrossel partidário"
1. D. Pedro II (Moderador)2. Escolhe 1º Ministro3. Monta Eleição Fraudada4. Câmara submissa

Se a Câmara entrasse em atrito com o ministério, D. Pedro II dissolvia o parlamento e convocava novas eleições. Essa alternância artificial garantia estabilidade para as elites cafeeiras liberais e conservadoras.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
No parlamentarismo britânico clássico ('o rei reina, mas não governa'), o poder emana das urnas: a população elege os deputados, a maioria do Parlamento forma o gabinete e escolhe o Primeiro-Ministro. No Brasil imperial, a ordem era invertida: D. Pedro II usava o Poder Moderador para escolher discricionariamente o Presidente do Conselho de Ministros. Este, por sua vez, organizava eleições fraudadas ('eleições do cacete') para garantir que o seu partido tivesse maioria na Câmara. Quando o gabinete se desgastava, D. Pedro II o destituía, nomeava o partido rival (Liberal ou Conservador) e convocava novas eleições. Daí a famosa frase: 'Nada mais parecido com um conservador do que um liberal no poder'.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

As disputas entre o Partido Liberal (os 'Luzias') e o Partido Conservador (os 'Saquaremas') geravam eleições violentíssimas onde capangas armados roubavam urnas e batiam em eleitores com porretes, daí a origem da expressão histórica 'eleições do cacete'!

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A Lei Eusébio de Queirós (1850): a extinção do tráfico transatlântico de escravizados
Em 4 de setembro de 1850, o Parlamento imperial aprovou a Lei nº 581 (Lei Eusébio de Queirós), que proibiu definitivamente o tráfico negreiro da África para o Brasil. A aprovação dessa lei foi precipitada principalmente:

O Efeito da Lei Eusébio de Queirós (1850): Transatlântico vs. Interprovincial

Veja a rota do tráfico de escravizados antes e depois da proibição naval de 1850

Tráfico Interprovincial (Nordeste Açucareiro → Sudeste Cafeeiro)
Nordeste (Engenhos decadentes)Cafezais do Sudeste (RJ e SP em expansão)

Com a proibição da rota africana, o preço dos escravizados disparou. Fazendeiros do Nordeste venderam seus trabalhadores para os cafeicultores paulistas e fluminenses, separando milhares de famílias negras. Os capitais antes gastos no tráfico transatlântico foram redirecionados para ferrovias, bancos e indústrias!

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Desde a independência, o Brasil assinou tratados com a Inglaterra prometendo cessar o tráfico de africanos (gerando leis que 'não pegavam', daí a expressão 'para inglês ver'). Contudo, em 1845 o Parlamento britânico aprovou o ato 'Bill Aberdeen', concedendo à Royal Navy o poder de apreender navios negreiros sob bandeira brasileira e julgar os traficantes em tribunais navais ingleses. Diante do risco iminente de guerra aberta e bombardeios britânicos em portos nacionais, o ministro da Justiça Eusébio de Queirós articulou a lei que criminalizou e extinguiu o comércio transatlântico, gerando como consequência imediata o tráfico interprovincial (venda de escravizados do Nordeste açucareiro decadente para o pujante café do Sudeste).

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Em 1831, sob pressão inglesa, a Regência aprovou a Lei Feijó que declarava livres todos os escravizados que entrassem no Brasil. Porém, as autoridades faziam vista grossa e continuaram desembarcando mais de 700 mil cativos ilegalmente. A população passou então a chamar a lei ineficaz de 'lei para inglês ver'!

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Módulo 41864–18895 Questões

Conflitos, Abolicionismo e a Queda da Monarquia (1864–1889)

A Guerra do Paraguai, as leis abolicionistas, o protagonismo negro e a Proclamação da República

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A Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870): o conflito da Bacia do Prata
A Guerra do Paraguai foi o maior conflito bélico interétnico e interestatal da história da América do Sul, opondo o Paraguai de Solano López à Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai). Um dos impactos sociais e políticos mais profundos dessa guerra para o Império do Brasil foi:

A Guerra do Paraguai (1864–1870): O Despertar do Exército e dos Soldados Negros

Analise as transformações estruturais provocadas pelo conflito no Império

O surgimento de uma nova força política1864–1870

Milhares de escravizados foram alforriados para lutar nas frentes de combate na bacia do Prata como 'Voluntários da Pátria'. Ao voltarem condecorados e vitoriosos, era moralmente intolerável que seus familiares continuassem sob o chicote nas fazendas. O Exército saiu da guerra profissionalizado, abolicionista e crítico da oligarquia imperial.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Guerra do Paraguai durou quase seis anos e custou cerca de 50 mil vidas brasileiras e centenas de milhares de vidas paraguaias (arrasando a demografia e a economia daquele país). Para lutar, o Império criou os 'Voluntários da Pátria' e alforriou milhares de escravizados que lutaram lado a lado com oficiais brancos na Batalha do Riachuelo, Tuiuti e Curupaiti. Ao retornarem vitoriosos, os oficiais do Exército sentiam-se desprezados pela elite civil de bacharéis e políticos do Império. Mais do que isso: era eticamente insustentável que heróis negros de guerra voltassem a ver seus familiares chicoteados como cativos nos cafezais, fortalecendo a aliança entre Exército, abolicionismo e positivismo republicano.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Em 11 de junho de 1865, na Batalha Naval do Riachuelo, a esquadra do Almirante Barroso derrotou a frota paraguaia usando a proa encouraçada da fragata 'Amazonas' para abalroar e afundar os navios inimigos no Rio Paraná, garantindo o bloqueio naval estratégico do conflito!

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A marcha lenta da liberdade: a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885)
Pressionado pelo crescimento do abolicionismo e pela opinião pública internacional após a Guerra do Paraguai, o Estado imperial aprovou as leis 'graduais' de emancipação: a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários (1885). Essas medidas foram criticadas pelo movimento abolicionista radical porque:

As 'Leis Graduais': A Estratégia Parlamentar para Adiar a Abolição

Analise as armadilhas e limites das leis de 1871 e 1885

Lei do Ventre Livre (Lei Rio Branco, 28 de setembro de 1871)1871

A promessa: Declarava livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir daquela data ('ingênuos').

A armadilha senhorial:

O fazendeiro podia escolher entre receber uma indenização do Estado quando a criança fizesse 8 anos OU explorar o trabalho forçado da criança até os 21 anos de idade a título de custeio da criação! A imensa maioria dos fazendeiros escolheu explorar o jovem até os 21 anos.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
As leis graduais foram estratégias parlamentares dos proprietários de escravizados para desacelerar o movimento abolicionista. A Lei do Ventre Livre (1871) declarava livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir daquela data, mas permitia que o senhor explorasse o trabalho do menor ('ingênuo') até os 21 anos de idade a título de criação. Já a Lei dos Sexagenários (1885) libertava apenas escravizados que atingissem 60 anos — idade raríssima na expectativa de vida desumana do cativeiro —, e ainda exigia mais 3 anos de serviços gratuitos ao senhor como indenização. O movimento abolicionista denunciou essas leis como engodos cruéis para prolongar a escravidão.

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Devido às jornadas exaustivas de mais de 16 horas diárias, aos castigos físicos e à desnutrição, menos de 5% da população escravizada do Brasil conseguia sobreviver até os 60 anos de idade, tornando a lei praticamente inócua na prática!

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13 de Maio de 1888 e o protagonismo negro: a vitória da insubordinação popular
A assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel não foi uma dádiva benévola da monarquia, mas a consumação de décadas de resistência ativa. Entre as principais lideranças negras que organizaram fugas em massa, caixas de alforria, jornais e defesas jurídicas no tribunal, destacam-se:

Protagonismo Negro: Os Intelectuais da Luta Abolicionista

Conheça as biografias dos homens negros que conquistaram a liberdade na marra

Luís Gama (1830–1882)
Advogado rábula, jornalista e poeta

O terror jurídico dos traficantes e senhores de escravizados

Filho da guerreira Luísa Mahin e vendido como escravo pelo próprio pai aos 10 anos, alfabetizou-se sozinho, conquistou a liberdade e libertou mais de 500 escravizados nos tribunais invocando a lei de 1831!

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A historiografia moderna combate a visão passiva da 'Princesa Redentora'. A abolição foi arrancada pela conjunção de revoltas e fugas coletivas nas senzalas paulistas (como as organizadas por Antônio Bento e os Caifazes), quilombos urbanos (como o Quilombo do Leblon no Rio de Janeiro, famoso por cultivar camélias brancas, símbolo do abolicionismo) e a genialidade de intelectuais negros: Luís Gama (ex-escravizado que se tornou o maior advogado dos cativos), André Rebouças (brilhante engenheiro da corte) e José do Patrocínio (orador e jornalista). Contudo, a Lei Áurea teve apenas dois artigos, sem prever terra, educação ou inclusão econômica para os 700 mil recém-libertos.

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O Quilombo do Leblon, localizado no sopé dos morros cariocas, cultivava camélias brancas. Usar uma camélia na lapela do paletó ou no jardim de casa no Rio de Janeiro era o código secreto entre os abolicionistas para sinalizar apoio aos escravizados fugitivos!

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As crises do Império: a Questão Militar e a Questão Religiosa
Na década de 1870 e 1880, a monarquia imperial brasileira perdeu progressivamente seus três pilares fundamentais de sustentação: a Igreja Católica, os grandes cafeicultores escravocratas e as Forças Armadas. A chamada 'Questão Militar' caracterizou-se pelo:

A Ruína dos 3 Pilares de Sustentação do Império (1870–1889)

Veja como a Igreja, o Exército e os cafeicultores escravocratas romperam com D. Pedro II

O Exército (Questão Militar)

Motivo do atrito: Oficiais proibidos de se manifestarem na imprensa por ministros civis.

Impacto para a Monarquia: O Exército saiu da Guerra do Paraguai prestigiado, abraçou o Positivismo ('Ordem e Progresso') e aliou-se ao republicanismo para derrubar a monarquia.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Monarquia ruiu porque perdeu suas bases sociais: 1) A Igreja afastou-se com a 'Questão Religiosa' (1872-1875), quando D. Pedro II prendeu dois bispos (D. Vital e D. Macedo Costa) por punirem padres maçons em cumprimento a ordens do Vaticano; 2) Os fazendeiros escravocratas do Vale do Paraíba romperam com o Império após a Lei Áurea sem indenização, tornando-se os 'republicanos do 14 de maio'; e 3) O Exército na 'Questão Militar' recusava-se a cumprir o papel de capitão do mato perseguindo cativos em fuga e adotou o Positivismo de Auguste Comte (ensinado na Escola Militar da Praia Vermelha por Benjamin Constant), que via a Monarquia como um regime retrógrado e defendia uma República tecnocrática liderada por militares patriotas.

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Horas após a Princesa Isabel assinar a Lei Áurea em 13 de maio de 1888, centenas de fazendeiros conservadores que antes defendiam com unhas e dentes o imperador migraram furiosos para o Partido Republicano Paulista no dia 14 de maio, afirmando que já que a monarquia havia lhes tirado a propriedade escrava, não fazia mais sentido apoiar o trono!

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15 de Novembro de 1889: a Proclamação da República e a 'bestialização' popular
Na manhã de 15 de novembro de 1889, tropas do Exército comandadas pelo Marechal Deodoro da Fonseca marcharam até o Ministério da Guerra na Praça da Aclamação no Rio de Janeiro, depondo o gabinete do Visconde de Ouro Preto e encerrando 67 anos de regime monárquico. O jornalista e político republicano Aristides Lobo escreveu na imprensa sobre a atitude da população civil no dia do golpe militar:

Análise Documental: A Crônica de Aristides Lobo (15 de Novembro de 1889)

Clique nas expressões destacadas para entender a ausência de participação popular na Proclamação

“O povo assistiu àquilo , atônito, surpreso, . Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma .”— Aristides Lobo, 'O Diário de Notícias', 18 de novembro de 1889
Sentido Histórico: Bestializado

Paralisado, pasmo, perplexo, como quem assiste a um espetáculo teatral sem compreender quem está no palco e por qual motivo.

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Proclamação da República foi essencialmente um golpe civil-militar desferido pelo alto oficialato do Exército aliado à oligarquia cafeeira paulista reunida no PRP. A população em geral não foi consultada e nem participou ativamente dos acontecimentos: a queda do imperador D. Pedro II (idoso, diabético e respeitado por muitos cidadãos) causou perplexidade. A célebre crônica de Aristides Lobo em 'O Diário de Notícias' imortalizou a expressão de que o povo 'assistiu àquilo bestializado' pensando tratar-se de um desfile militar festivo. A família real foi banida de madrugada para o exílio em Portugal, inaugurando a República da Espada e a República Oligárquica.

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O Marechal Deodoro da Fonseca era amigo de D. Pedro II e relutava em derrubar o velho imperador. Ele só liderou as tropas golpistas porque líderes republicanos espalharam o boato falso de que o gabinete imperial havia nomeado seu pior inimigo político pessoal (Silveira Martins) para chefiar o governo!

Fim da atividade • 8º ano & ensino médio / ENEM

Parabéns pelo estudo sobre o Brasil Império!

Você revisou os 4 módulos: a Constituição de 1824 e o Poder Moderador, as Revoltas Regenciais, a Lei de Terras, o Café, a Guerra do Paraguai, o abolicionismo e a Proclamação da República.

Exercícios

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Pontuação

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Ofensiva

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Tempo de Estudo

~40 min

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