Fundamental II (8º ano) & Ensino Médio / ENEMBNCC: EF08HI01 / EM13CHS101 / EM13CHS10220 exercícios comentados

Atividades sobre Brasil Império: 20 questões com gabarito comentado

Pratique com 20 exercícios sobre Brasil Império (Primeiro Reinado, Regência e Segundo Reinado). Quiz interativo com gabarito para o 8º ano e ENEM.

Tempo estimado: 35 a 45 minEF08HI01, EM13CHS101 e EM13CHS102Gabarito estruturado com análises historiográficas

O Brasil Império (1822–1889) compreende o período formativo do Estado nacional brasileiro, marcado pela consolidação da independência sob a monarquia dos Bragança, disputas pelo poder político e intensas transformações socioeconômicas. Dividido historicamente em Primeiro Reinado (com a outorga da Constituição de 1824 e o Poder Moderador), Período Regencial (agitado por revoltas provinciais federalistas e populares) e Segundo Reinado (com o apogeu da economia cafeeira, o parlamentarismo às avessas, a Guerra do Paraguai e a abolição da escravidão), o tema é um dos mais recorrentes na prova de Ciências Humanas do ENEM e nos principais vestibulares do país.

Alinhada às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (EF08HI01, EM13CHS101 e EM13CHS102), esta lista traz 20 questões contextualizadas com gabarito comentado, análise aprofundada de distratores e explicações conceituais detalhadas. Ao resolver cada módulo, você revisará temas cruciais como a Lei de Terras de 1850, a Revolta dos Malês, a Balaiada, a Guerra dos Farrapos, a transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado imigrante e as tensões sociopolíticas que culminaram na Proclamação da República.

01
Módulo 1 • 1822–18315 Questões

Primeiro Reinado (1822–1831)

A consolidação da independência, a Carta de 1824 e o autoritarismo de D. Pedro I

01
FácilENEM & Vestibulares

A Constituição de 1824 e o Poder Moderador: a supremacia régia

Em 25 de março de 1824, D. Pedro I outorgou a primeira Constituição do Brasil independente. Diferenciando-se da clássica tripartição de poderes iluminista formulada por Montesquieu, a Carta Imperial instituiu quatro poderes políticos. A atribuição fundamental do Poder Moderador, privativo do Imperador, era:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Inspirado no pensamento do teórico liberal-conservador franco-suíço Benjamin Constant, o Poder Moderador foi concebido na Constituição de 1824 como um poder neutro que deveria equilibrar os outros três. Contudo, na prática do Primeiro e Segundo Reinados, o Moderador garantiu a hegemonia absolutista do monarca: D. Pedro I e mais tarde D. Pedro II podiam dissolver a Câmara, escolher senadores vitalícios a partir de uma lista tríplice, suspender magistrados e nomear e demitir ministros do Executivo a seu livre critério.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

Uma Constituição é 'promulgada' quando é debatida e votada por deputados eleitos pelo povo. Já a Carta de 1824 foi 'outorgada' (imposta de cima para baixo), porque D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte com tropas armadas e a redigiu com um Conselho de Estado de apenas 10 nobres de sua inteira confiança!

02
MédioENEM & Vestibulares

A 'Noite da Agonia' e a Constituição da Mandioca: o choque com a aristocracia

Durante os debates da Assembleia Constituinte de 1823, deputados ligados aos grandes proprietários de terras apresentaram um projeto constitucional que restringia os poderes do monarca e fixava o critério de voto censitário pela renda equivalente a alqueires de farinha de mandioca. Diante dessa resistência parlamentar, a reação de D. Pedro I foi:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Na madrugada de 12 de novembro de 1823, episódio que ficou conhecido como a 'Noite da Agonia', tropas fiéis a D. Pedro I invadiram e fecharam a Assembleia Constituinte. O imperador não aceitava ter seus poderes limitados pelo Partido Brasileiro nem tolerava as críticas publicadas na imprensa. Líderes como José Bonifácio e seus irmãos foram presos e desterrados para a Europa, evidenciando que a independência do Brasil não rompia com o autoritarismo de matriz absolutista portuguesa.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

O critério da mandioca visava excluir do processo político os comerciantes portugueses ricos em moedas e assegurar que apenas os fazendeiros e senhores de engenho nativos pudessem votar e ser votados nas eleições primárias!

03
MédioENEM & Vestibulares

A Confederação do Equador (1824): o levante republicano no Nordeste

Em julho de 1824, eclodiu em Pernambuco uma insurreição republicana e separatista que logo se estendeu às províncias do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Liderada por intelectuais liberais e religiosos como Frei Caneca, a Confederação do Equador teve como motivação primordial:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Pernambuco já possuía uma vibrante tradição republicana desde a Revolução de 1817. Quando D. Pedro I dissolveu a Constituinte em 1823, outorgou a Carta absolutista de 1824 e destituiu o presidente eleito pelos pernambucanos para impor um governante de sua escolha pessoal (Francisco Pais Barreto), a revolta explodiu. Proclamaram a República da Confederação do Equador, inspirada na constituição dos EUA. A repressão imperial foi implacável: o Rio de Janeiro contratou o mercenário britânico Lorde Cochrane para bloquear o Recife, e Frei Caneca foi fuzilado em 1825.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

Escolha uma alternativa acimaou

A condenação oficial de Frei Caneca determinava a morte pela forca. Contudo, nenhum dos carrascos da província de Pernambuco aceitou colocar a corda no pescoço do reverenciado frade carmelita. Sem executor para o enforcamento, o tribunal militar ordenou seu fuzilamento pelas tropas!

04
DifícilENEM & Vestibulares

A Guerra da Cisplatina (1825–1828) e a gênese do Uruguai

Entre 1825 e 1828, o Império do Brasil travou uma sangrenta guerra contra as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina) pela posse da Província Cisplatina. O término do conflito, mediado pela diplomacia da Grã-Bretanha, resultou:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Cisplatina (anexada por D. João VI em 1821) rebelou-se com a expedição dos 'Trinta e Três Orientais' liderada por Juan Antonio Lavalleja, desejando unir-se à Argentina. A guerra foi um desastre financeiro e humano para o Brasil: causou milhares de mortos, inflação, recrutamento forçado de civis e endividamento gigantesco junto à Inglaterra. Preocupada com o bloqueio do porto de Buenos Aires que prejudicava seus negócios, a Grã-Bretanha intermediou o Tratado de Paz de 1828, no qual Brasil e Argentina abriram mão do território, surgindo a República Oriental do Uruguai.

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Para os britânicos, não interessava que o estuário do Rio da Prata ficasse sob controle exclusivo do Brasil ou da Argentina. A criação do Uruguai como país neutro garantiu a livre navegação comercial dos navios ingleses para o interior da América do Sul!

05
FácilENEM & Vestibulares

O 7 de abril de 1831: o colapso do Primeiro Reinado e a abdicação de D. Pedro I

O clima político no Rio de Janeiro deteriorou-se rapidamente entre 1830 e 1831 com o assassinato do jornalista liberal Líbero Badaró, a 'Noite das Garrafadas' (conflitos de rua entre portugueses e brasileiros) e a oposição unânime da elite política e do Exército. Diante desse isolamento generalizado, em 7 de abril de 1831, D. Pedro I:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A abdicação de D. Pedro I em 7 de abril de 1831 encerrou o Primeiro Reinado. O imperador estava prensado entre a crise econômica (falência do Banco do Brasil em 1829 e desvalorização cambial), a desconfiança popular de que pretendia reunificar Brasil e Portugal após a morte de seu pai D. João VI, e a perda do apoio militar da guarnição do Rio de Janeiro. Ao abdicar em favor de seu filho de 5 anos de idade (D. Pedro II), D. Pedro I retornou à Europa para disputar a coroa portuguesa contra seu irmão absolutista D. Miguel, abrindo caminho para o turbulento Período Regencial.

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A carta de renúncia redigida por D. Pedro I de próprio punho na madrugada de 7 de abril continha apenas duas frases breves: 'Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que hei mui voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho o Senhor D. Pedro de Alcântara. Boa Vista, sete de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império'!

02
Módulo 2 • 1831–18405 Questões

Período Regencial (1831–1840)

Instabilidade política, Guarda Nacional, revoltas provinciais e o Golpe da Maioridade

06
MédioENEM & Vestibulares

O Ato Adicional de 1834 e a Guarda Nacional: descentralização e coronelismo

Durante o avanço liberal da Regência Trina Permanente, o ministro da Justiça Diogo Antônio Feijó criou a Guarda Nacional (1831) e o Parlamento aprovou o Ato Adicional de 1834. Essas reformas institucionais tinham como marca principal:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
O Ato Adicional de 1834 alterou a Constituição de 1824: suspendeu o Poder Moderador durante a menoridade, substituiu a Regência Trina pela Regência Una eleita e criou as Assembleias Legislativas Provinciais, permitindo aos deputados locais legislar sobre impostos e funcionalismo. Concomitantemente, a Guarda Nacional criada por Feijó descentralizou o uso da força: os postos de oficiais eram comprados por ricos fazendeiros da terra (o título de 'Coronel'), subordinando a repressão das revoltas e o controle dos escravizados ao poder privado local, o que deu origem histórica ao coronelismo no Brasil.

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Os grandes proprietários de terras que financiavam e compravam patentes de comando na Guarda Nacional recebiam a patente de 'Coronel da Guarda Nacional'. Mesmo após a extinção da corporação, o título continuou sendo usado popularmente para designar os chefes políticos oligárquicos em todo o Brasil!

07
DifícilENEM & Vestibulares

A Revolta dos Malês (1835): resistência negra letrada e muçulmana em Salvador

Na madrugada de 25 de janeiro de 1835 (durante o mês sagrado do Ramadã), eclodiu em Salvador a Revolta dos Malês, considerada a maior insurreição urbana de pessoas escravizadas das Américas. A característica singular desse movimento que aterrorizou as elites imperiais foi:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Os 'Malês' (termo iorubá 'imale', que significa muçulmano) reuniram cerca de 600 rebeldes, predominantemente escravizados e libertos de ganho em Salvador (como sapateiros, carregadores e alfaiates). Ao contrário do estereótipo colonial de que escravizados eram ignorantes, muitos líderes malês sabiam ler e escrever em árabe clássico e articulavam a revolta através de bilhetes clandestinos e orações do Alcorão. A repressão policial regencial foi implacável: dezenas de mortos em combate, fuzilamentos, açoites de centenas de chicotadas e deportação em massa de libertos para a África.

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Muitos dos combatentes malês usavam abadás brancos e colares no pescoço com pequenos patuás de couro contendo papéis dobrados com orações e suratas do Alcorão escritas em árabe, que acreditavam proteger seus corpos contra as balas da polícia provincial!

08
MédioENEM & Vestibulares

A Guerra dos Farrapos (1835–1845): charque, fronteira e repúblicas sulistas

A Revolução Farroupilha, que durou dez anos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, foi o mais longo conflito armado do período regencial. O descontentamento econômico central dos fazendeiros de gado (estancieiros) que impulsionou o levante republicano foi:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Os estancieiros sulistas viam o charque (carne seca) gaúcho, principal alimento dos escravizados nos cafezais e plantações do Sudeste, perder mercado interno porque a tarifa alfandegária do Rio de Janeiro cobrava menos impostos sobre o charque platino estrangeiro do que sobre o charque do Rio Grande do Sul. Liderados por Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi, os farrapos proclamaram a República Rio-Grandense (Piratini) e a República Juliana (SC). A guerra só terminou em 1845 com o Tratado do Ponche Verde negociado por Luís Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias), que atendeu às reivindicações tarifárias e anistiou os rebeldes.

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Para fechar o acordo de paz com o Império sem libertar escravizados negros que desafiassem a ordem escravocrata do país, os chefes farroupilhas desarmaram o corpo de Lanceiros Negros na véspera de um ataque surpresa das tropas imperiais no Massacre de Porongos (1844), uma das páginas mais sombrias da história gaúcha!

09
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Cabanagem, Sabinada e Balaiada: o povo insurrecto contra as elites

Durante o Período Regencial, o mapa brasileiro foi sacudido por levantes como a Cabanagem (Grão-Pará, 1835-1840), a Sabinada (Bahia, 1837-1838) e a Balaiada (Maranhão, 1838-1841). A Cabanagem e a Balaiada diferenciaram-se pelo protagonismo de:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Ao passo que revoltas como a Farroupilha e a Sabinada tiveram forte comando das elites agrárias ou da classe média urbana, a Cabanagem e a Balaiada foram essencialmente populares. No Grão-Pará, os cabanos (moradores de cabanas humildes à beira dos rios, indígenas e mestiços) tomaram Belém por anos e exerceram o governo provincial, sofrendo uma repressão atroz que dizimou cerca de 20% a 30% da população paraense (mais de 30 mil mortos). No Maranhão, artesãos fabricantes de balaios (como Manuel dos Balaios) e escravizados aquilombados (como Cosme Bento) uniram-se contra a opressão dos fazendeiros locais.

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Líder quilombola na Balaiada, Cosme Bento das Chagas chegou a comandar um exército de mais de 3.000 negros libertos e foragidos no interior do Maranhão e Piauí, instituindo escolas e autogoverno popular nas matas antes de ser capturado e enforcado em 1842!

10
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O Golpe da Maioridade (1840): a restauração da autoridade e o fim da menoridade

Em 23 de julho de 1840, com a aprovação de uma emenda constitucional articulada pelo Partido Liberal no 'Clube da Maioridade', D. Pedro II foi declarado maior de idade e empossado como Imperador do Brasil aos 14 anos de idade. A motivação política central desse movimento foi:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
O Período Regencial havia sido marcado por guerras civis, revoltas separatistas e ameaça iminente de 'balcanização' (fragmentação do Brasil em várias republiquetas, como ocorrera na América espanhola). Para a elite política brasileira (tanto liberais quanto conservadores), apenas a sacralidade da figura do Imperador poderia restaurar a autoridade do Estado, pacificar as províncias rebeladas e restabelecer a ordem. A célebre quadrinha popular sintetizou o momento: 'Por subir Pedrinho ao trono, não fique o povo contente; não pode ser boa coisa, servindo com a mesma gente'.

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Quando uma comissão parlamentar foi ao Palácio de São Cristóvão perguntar ao príncipe adolescente de 14 anos quando ele gostaria de assumir a chefia do Império diante da crise regencial, D. Pedro II respondeu com firmeza com duas únicas palavras: 'Quero já!'

03
Módulo 3 • 1840–18895 Questões

Segundo Reinado: Economia, Sociedade e Política (1840–1889)

A era do café, a Lei de Terras, a Tarifa Alves Branco e o Parlamentarismo às Avessas

11
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A marcha do café: o Vale do Paraíba tradicional versus o dinâmico Oeste Paulista

Na segunda metade do século XIX, o café tornou-se o motor absoluto da economia brasileira, representando mais de metade das exportações nacionais. A expansão cafeeira dividiu-se em dois modelos socioespaciais distintos: o Vale do Paraíba e o Oeste Paulista. O Oeste Paulista destacou-se por:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Enquanto o Vale do Paraíba (RJ/SP) utilizava técnicas agrícolas arcaicas, desmatamento predatório, relevo acidentado e dependência rígida de escravizados (os 'barões do café' tradicionais que entraram em decadência com a exaustão do solo), o Oeste Paulista (regiões de Campinas, Ribeirão Preto e São Carlos) apresentava relevo plano, terra roxa fértil e uma burguesia cafeeira empreendedora. Esses fazendeiros paulistas financiaram estradas de ferro (como a São Paulo Railway), modernizaram a torrefação e impulsionaram a imigração subvencionada europeia (italianos, alemães e espanhóis) pelo sistema de colonato.

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O solo extremamente fértil do interior paulista era chamado pelos imigrantes italianos recém-chegados de 'terra rossa' ('vermelha', em italiano). Os brasileiros ouviram 'rossa' e aportuguesaram a palavra para 'roxa', mesmo a terra sendo de cor marrom-avermelhada!

12
DifícilENEM & Vestibulares

A Lei de Terras de 1850: a blindagem jurídica do latifúndio e a exclusão social

Promulgada quase simultaneamente à extinção do tráfico negreiro, a Lei de Terras (Lei nº 601 de 1850) estabeleceu as normas para a propriedade rural no Brasil. A sua principal determinação histórica e impacto estrutural foram:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Lei de Terras de 1850 encerrou o antigo regime colonial de sesmarias e posses por ocupação primária. Como o fim do tráfico de escravizados forçava a atração de imigrantes europeus, a elite latifundiária temia que os trabalhadores recém-chegados abandonassem as fazendas para ocupar terras livres no interior. Ao estipular que a terra pública só poderia ser obtida mediante compra formal com altos valores em dinheiro, o Império garantiu que os imigrantes e os libertos não tivessem acesso à terra, permanecendo compulsoriamente como mão de obra assalariada barata nos cafezais. Essa lei é o marco histórico da secular concentração fundiária no Brasil.

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A Lei de Terras foi aprovada em 18 de setembro de 1850, exatamente 14 dias após a Lei Eusébio de Queirós (4 de setembro). Não foi coincidência: os proprietários sabiam que sem novos escravos, precisavam trancar o acesso à terra para manter o imigrante preso ao trabalho nos cafezais!

13
MédioENEM & Vestibulares

A Tarifa Alves Branco (1844) e a Era Mauá: surto de modernização industrial

Em 1844, o ministro da Fazenda Manuel Alves Branco decretou uma reforma alfandegária que elevou os impostos sobre produtos importados para até 60%. Essa medida protecionista, associada aos capitais liberados pelo fim do tráfico negreiro, propiciou a 'Era Mauá', caracterizada por:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Tarifa Alves Branco (1844) não renovou os privilégios alfandegários da Inglaterra (taxa de apenas 15% desde 1810) e elevou as alíquotas para 30% e 60%. O capital que antes era imobilizado na compra de escravizados africanos foi redirecionado para a modernização urbana e financeira. O empresário gaúcho Irineu Evangelista de Sousa (Barão e depois Visconde de Mauá) fundou a Ponta da Areia (maior estaleiro e fundição do país), construiu a primeira estrada de ferro do Brasil (Estrada de Ferro Mauá, 1854), inaugurou a iluminação a gás no Rio de Janeiro e interligou o Brasil à Europa via cabo telegráfico submarino.

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No auge de seus negócios na década de 1860, o Banco Mauá & Cia possuía filiais em Montevidéu, Buenos Aires, Londres, Paris e Nova York. O faturamento de suas empresas era superior a todo o orçamento anual do governo imperial do Brasil!

14
MédioENEM & Vestibulares

O 'Parlamentarismo às Avessas': o carrossel político sob a batuta de D. Pedro II

Criado pelo Decreto nº 523 de 1847, o sistema parlamentarista do Segundo Reinado recebeu da historiografia a célebre denominação de 'Parlamentarismo às Avessas'. Comparado ao modelo parlamentar clássico britânico, o sistema brasileiro funcionava 'ao contrário' porque:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
No parlamentarismo britânico clássico ('o rei reina, mas não governa'), o poder emana das urnas: a população elege os deputados, a maioria do Parlamento forma o gabinete e escolhe o Primeiro-Ministro. No Brasil imperial, a ordem era invertida: D. Pedro II usava o Poder Moderador para escolher discricionariamente o Presidente do Conselho de Ministros. Este, por sua vez, organizava eleições fraudadas ('eleições do cacete') para garantir que o seu partido tivesse maioria na Câmara. Quando o gabinete se desgastava, D. Pedro II o destituía, nomeava o partido rival (Liberal ou Conservador) e convocava novas eleições. Daí a famosa frase: 'Nada mais parecido com um conservador do que um liberal no poder'.

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As disputas entre o Partido Liberal (os 'Luzias') e o Partido Conservador (os 'Saquaremas') geravam eleições violentíssimas onde capangas armados roubavam urnas e batiam em eleitores com porretes, daí a origem da expressão histórica 'eleições do cacete'!

15
FácilENEM & Vestibulares

A Lei Eusébio de Queirós (1850): a extinção do tráfico transatlântico de escravizados

Em 4 de setembro de 1850, o Parlamento imperial aprovou a Lei nº 581 (Lei Eusébio de Queirós), que proibiu definitivamente o tráfico negreiro da África para o Brasil. A aprovação dessa lei foi precipitada principalmente:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
Desde a independência, o Brasil assinou tratados com a Inglaterra prometendo cessar o tráfico de africanos (gerando leis que 'não pegavam', daí a expressão 'para inglês ver'). Contudo, em 1845 o Parlamento britânico aprovou o ato 'Bill Aberdeen', concedendo à Royal Navy o poder de apreender navios negreiros sob bandeira brasileira e julgar os traficantes em tribunais navais ingleses. Diante do risco iminente de guerra aberta e bombardeios britânicos em portos nacionais, o ministro da Justiça Eusébio de Queirós articulou a lei que criminalizou e extinguiu o comércio transatlântico, gerando como consequência imediata o tráfico interprovincial (venda de escravizados do Nordeste açucareiro decadente para o pujante café do Sudeste).

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

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Em 1831, sob pressão inglesa, a Regência aprovou a Lei Feijó que declarava livres todos os escravizados que entrassem no Brasil. Porém, as autoridades faziam vista grossa e continuaram desembarcando mais de 700 mil cativos ilegalmente. A população passou então a chamar a lei ineficaz de 'lei para inglês ver'!

04
Módulo 4 • 1864–18895 Questões

Conflitos, Abolicionismo e a Queda da Monarquia (1864–1889)

A Guerra do Paraguai, as leis abolicionistas, o protagonismo negro e a Proclamação da República

16
MédioENEM & Vestibulares

A Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870): o conflito da Bacia do Prata

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito bélico interétnico e interestatal da história da América do Sul, opondo o Paraguai de Solano López à Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai). Um dos impactos sociais e políticos mais profundos dessa guerra para o Império do Brasil foi:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Guerra do Paraguai durou quase seis anos e custou cerca de 50 mil vidas brasileiras e centenas de milhares de vidas paraguaias (arrasando a demografia e a economia daquele país). Para lutar, o Império criou os 'Voluntários da Pátria' e alforriou milhares de escravizados que lutaram lado a lado com oficiais brancos na Batalha do Riachuelo, Tuiuti e Curupaiti. Ao retornarem vitoriosos, os oficiais do Exército sentiam-se desprezados pela elite civil de bacharéis e políticos do Império. Mais do que isso: era eticamente insustentável que heróis negros de guerra voltassem a ver seus familiares chicoteados como cativos nos cafezais, fortalecendo a aliança entre Exército, abolicionismo e positivismo republicano.

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Em 11 de junho de 1865, na Batalha Naval do Riachuelo, a esquadra do Almirante Barroso derrotou a frota paraguaia usando a proa encouraçada da fragata 'Amazonas' para abalroar e afundar os navios inimigos no Rio Paraná, garantindo o bloqueio naval estratégico do conflito!

17
MédioENEM & Vestibulares

A marcha lenta da liberdade: a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885)

Pressionado pelo crescimento do abolicionismo e pela opinião pública internacional após a Guerra do Paraguai, o Estado imperial aprovou as leis 'graduais' de emancipação: a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei Saraiva-Cotegipe ou dos Sexagenários (1885). Essas medidas foram criticadas pelo movimento abolicionista radical porque:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
As leis graduais foram estratégias parlamentares dos proprietários de escravizados para desacelerar o movimento abolicionista. A Lei do Ventre Livre (1871) declarava livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir daquela data, mas permitia que o senhor explorasse o trabalho do menor ('ingênuo') até os 21 anos de idade a título de criação. Já a Lei dos Sexagenários (1885) libertava apenas escravizados que atingissem 60 anos — idade raríssima na expectativa de vida desumana do cativeiro —, e ainda exigia mais 3 anos de serviços gratuitos ao senhor como indenização. O movimento abolicionista denunciou essas leis como engodos cruéis para prolongar a escravidão.

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Devido às jornadas exaustivas de mais de 16 horas diárias, aos castigos físicos e à desnutrição, menos de 5% da população escravizada do Brasil conseguia sobreviver até os 60 anos de idade, tornando a lei praticamente inócua na prática!

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13 de Maio de 1888 e o protagonismo negro: a vitória da insubordinação popular

A assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel não foi uma dádiva benévola da monarquia, mas a consumação de décadas de resistência ativa. Entre as principais lideranças negras que organizaram fugas em massa, caixas de alforria, jornais e defesas jurídicas no tribunal, destacam-se:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A historiografia moderna combate a visão passiva da 'Princesa Redentora'. A abolição foi arrancada pela conjunção de revoltas e fugas coletivas nas senzalas paulistas (como as organizadas por Antônio Bento e os Caifazes), quilombos urbanos (como o Quilombo do Leblon no Rio de Janeiro, famoso por cultivar camélias brancas, símbolo do abolicionismo) e a genialidade de intelectuais negros: Luís Gama (ex-escravizado que se tornou o maior advogado dos cativos), André Rebouças (brilhante engenheiro da corte) e José do Patrocínio (orador e jornalista). Contudo, a Lei Áurea teve apenas dois artigos, sem prever terra, educação ou inclusão econômica para os 700 mil recém-libertos.

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O Quilombo do Leblon, localizado no sopé dos morros cariocas, cultivava camélias brancas. Usar uma camélia na lapela do paletó ou no jardim de casa no Rio de Janeiro era o código secreto entre os abolicionistas para sinalizar apoio aos escravizados fugitivos!

19
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As crises do Império: a Questão Militar e a Questão Religiosa

Na década de 1870 e 1880, a monarquia imperial brasileira perdeu progressivamente seus três pilares fundamentais de sustentação: a Igreja Católica, os grandes cafeicultores escravocratas e as Forças Armadas. A chamada 'Questão Militar' caracterizou-se pelo:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Monarquia ruiu porque perdeu suas bases sociais: 1) A Igreja afastou-se com a 'Questão Religiosa' (1872-1875), quando D. Pedro II prendeu dois bispos (D. Vital e D. Macedo Costa) por punirem padres maçons em cumprimento a ordens do Vaticano; 2) Os fazendeiros escravocratas do Vale do Paraíba romperam com o Império após a Lei Áurea sem indenização, tornando-se os 'republicanos do 14 de maio'; e 3) O Exército na 'Questão Militar' recusava-se a cumprir o papel de capitão do mato perseguindo cativos em fuga e adotou o Positivismo de Auguste Comte (ensinado na Escola Militar da Praia Vermelha por Benjamin Constant), que via a Monarquia como um regime retrógrado e defendia uma República tecnocrática liderada por militares patriotas.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

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Horas após a Princesa Isabel assinar a Lei Áurea em 13 de maio de 1888, centenas de fazendeiros conservadores que antes defendiam com unhas e dentes o imperador migraram furiosos para o Partido Republicano Paulista no dia 14 de maio, afirmando que já que a monarquia havia lhes tirado a propriedade escrava, não fazia mais sentido apoiar o trono!

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15 de Novembro de 1889: a Proclamação da República e a 'bestialização' popular

Na manhã de 15 de novembro de 1889, tropas do Exército comandadas pelo Marechal Deodoro da Fonseca marcharam até o Ministério da Guerra na Praça da Aclamação no Rio de Janeiro, depondo o gabinete do Visconde de Ouro Preto e encerrando 67 anos de regime monárquico. O jornalista e político republicano Aristides Lobo escreveu na imprensa sobre a atitude da população civil no dia do golpe militar:

Selecione a alternativa correta:

Gabarito e resolução comentada

Alternativa correta: A
A Proclamação da República foi essencialmente um golpe civil-militar desferido pelo alto oficialato do Exército aliado à oligarquia cafeeira paulista reunida no PRP. A população em geral não foi consultada e nem participou ativamente dos acontecimentos: a queda do imperador D. Pedro II (idoso, diabético e respeitado por muitos cidadãos) causou perplexidade. A célebre crônica de Aristides Lobo em 'O Diário de Notícias' imortalizou a expressão de que o povo 'assistiu àquilo bestializado' pensando tratar-se de um desfile militar festivo. A família real foi banida de madrugada para o exílio em Portugal, inaugurando a República da Espada e a República Oligárquica.

Gabarito oculto para você praticar primeiro!

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O Marechal Deodoro da Fonseca era amigo de D. Pedro II e relutava em derrubar o velho imperador. Ele só liderou as tropas golpistas porque líderes republicanos espalharam o boato falso de que o gabinete imperial havia nomeado seu pior inimigo político pessoal (Silveira Martins) para chefiar o governo!

Fim da atividade • 8º ano & ensino médio / ENEM

Parabéns pelo estudo sobre o Brasil Império!

Você revisou os 4 módulos: a Constituição de 1824 e o Poder Moderador, as Revoltas Regenciais, a Lei de Terras, o Café, a Guerra do Paraguai, o abolicionismo e a Proclamação da República.

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Victor Gomes

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Criador do NikoQuiz, atua no desenvolvimento de soluções digitais combinando arquitetura de informação, experiência do usuário (UX) e design instrucional aplicado à educação básica e preparatória. Após anos liderando projetos de tecnologia e produtos digitais, canalizou essa expertise técnica para modernizar o aprendizado escolar, rompendo com o modelo passivo de PDFs estáticos e gabaritos sem justificativa.

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