Publicado em 1891, Quincas Borba é o segundo romance da consagrada Trilogia Realista de Machado de Assis, sucedendo Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e antecedendo Dom Casmurro (1899). Na trama, o ingênuo professor provinciano Rubião herda a vultosa fortuna e o cão de seu amigo e filósofo Quincas Borba, sob a condição de cuidar do animal. Ao transferir-se de Barbacena para a corte do Rio de Janeiro no final do Segundo Reinado, Rubião transforma-se em alvo fácil para a bajulação e o parasitismo da elite carioca — encarnada com maestria pelo casal Sofia e Cristiano Palha —, iniciando uma trágica trajetória de desapossamento material e colapso mental, culminando no delírio megalomaníaco em que se crê o imperador Napoleão III.
Ao contrário da narrativa em primeira pessoa de Brás Cubas, Quincas Borba é conduzido por um narrador em terceira pessoa onisciente, cuja ironia desapiedada e distância crítica expõem as engrenagens da vaidade, do interesse pecuniário e da hipocrisia social. A célebre doutrina filosófica do Humanitismo e sua máxima definidora — "ao vencedor, as batatas!" — servem como uma paródia corrosiva do darwinismo social e do positivismo oitocentistas, demonstrando que nas relações burguesas a sobrevivência do mais forte opera pela dissimulação moral. Cobrado intensamente na Fuvest, na Unicamp e no ENEM, o romance é explorado nestes 20 exercícios comentados com gabarito analítico, aprofundando o perfil dos personagens, os recursos estilísticos machadianos e as competências da BNCC em Literatura Brasileira.